Tens entre 16 e 30 anos? Então há uma probabilidade estatisticamente significativa de que te sintas sozinho. Não é uma opinião. São números.
57,7% dos jovens portugueses entre os 16 e os 25 anos reportam sentir falta de companhia regularmente. No Brasil, o cenário é ainda mais grave: o país lidera o ranking mundial de solidão, com 50% da população a declarar-se solitária, segundo a Ipsos (2025).
Isto não é um paradoxo. É um diagnóstico.
A ilusão da conexão digital
A geração que cresceu com smartphones, redes sociais e mensagens instantâneas deveria ser a mais conectada da história. E é — tecnologicamente. Mas conexão digital não é conexão humana.
As redes sociais foram desenhadas para maximizar engagement, não pertença. Cada scroll, cada like, cada story é uma micro-dose de validação que nunca satisfaz. É o equivalente emocional de comer açúcar: dá energia instantânea, mas deixa-te mais vazio do que antes.
Os dados confirmam:
- 49,8% dos jovens de 18 a 24 anos em Portugal reportam sintomas de ansiedade
- O uso intensivo de redes sociais está directamente correlacionado com maior percepção de solidão
- A pandemia de COVID-19 acelerou um problema que já existia — não o criou
Porque é que os jovens estão tão sós
A solidão juvenil não tem uma causa única. É o resultado de várias forças convergentes:
1. A erosão dos espaços de encontro
Cafés foram substituídos por entregas ao domicílio. Praças foram substituídas por feeds. As universidades, que deveriam ser fábricas de amizades, tornaram-se cada vez mais competitivas e individualistas.
2. A cultura da performance
Nas redes sociais, toda a gente parece estar bem. Admitir solidão é admitir fracasso. Então os jovens sofrem em silêncio, rodeados de sorrisos fabricados.
3. A precariedade laboral
Estágios não remunerados, contratos temporários, emigração forçada. Quando não tens estabilidade económica, é difícil construir relações estáveis.
4. A crise da saúde mental
34,5% dos portugueses experienciaram sintomas de perturbação mental no último ano. A solidão é frequentemente o primeiro sintoma — e o último a ser tratado.
O custo real da solidão juvenil
A solidão nos jovens não é "apenas" tristeza. É um factor de risco biológico:
- Aumento de 25% no risco de mortalidade prematura
- Maior probabilidade de depressão, ansiedade e perturbações alimentares
- Pior desempenho académico e profissional
- Maior risco de abuso de substâncias
- Enfraquecimento do sistema imunitário
Quando um jovem diz "sinto-me sozinho", não está a ser dramático. Está a descrever uma condição que, se não for tratada, pode marcar toda a sua vida adulta.
O que é que podemos fazer
A solução não é desligar o telemóvel. É criar alternativas reais.
Para os jovens:
- Procura eventos presenciais na tua cidade — jantares comunitários, caminhadas, círculos de conversa
- Admite a solidão sem vergonha. Falar sobre ela é o primeiro passo para a vencer
- Limita o scroll passivo. Usa a tecnologia para marcar encontros reais, não para substituí-los
Para a sociedade:
- Precisamos de mais espaços de encontro gratuitos e acessíveis
- As universidades e empresas devem investir em programas de conexão social
- Os governos devem incluir a solidão nas políticas de saúde pública
Para o movimento:
- A Antisolidão existe para isto. Para dar visibilidade, ferramentas e voz a quem se recusa a aceitar que a solidão seja o preço da modernidade
A Antisolidão e os jovens
Estamos a construir uma plataforma onde qualquer pessoa pode encontrar eventos de conexão, publicar iniciativas, e juntar-se a uma comunidade que acredita que o ser humano não foi feito para viver sozinho.
Se tens entre 16 e 30 anos e sentes-te sozinho: não estás sozinho nisto. Há milhões como tu. E nós vamos encontrar-vos uns aos outros.
Dados: Ipsos Global Loneliness Survey (2025), Marktest/Medicare Portugal (2025), SNS24, OMS.